Onde se situa?

"Vila Chã é uma freguesia costeira do Concelho de Vila do Conde, inserida na Área Metropolitana do Porto, na zona costeira Noroeste de Portugal. Dista cerca de 6 km da sede do Concelho, 10 km do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, 17 km do Porto de Mar da Póvoa de Varzim e 21 km da cidade do Porto. Tem como freguesias confrontantes: Mindelo pelo norte, Modivas pelo nascente, e Labruge pelo sul e o Oceano Atlântico pelo poente.

Acessos pela EN13 ou A28, ou pela linha B do Metro do Porto."
Extraído de:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Ch%C3%A3_(Vila_do_Conde)#Localiza.C3.A7.C3.A3o

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que são arrais?

Claro que os vilaplanenses com mais idade, riem-se desta minha pergunta. É óbvio que sabem o que é. Porém, temos que pensar nos mais novos habituados a brincar com o computador e com as "playstations" e afastados das tradições locais.
Um arrais é uma pessoa habilitada a dirigir uma pequena embarcação. Em Vila Chã houve, em tempos idos, mulheres com cédula marítima, e portanto habilitadas, a dirigir embarcações, o que é extraordinário num mundo masculino. De facto,investigadores como Ivone Baptista Magalhães e João Paulo Baptista " a comunidade de mulheres pescadoras de Vila Chã, até agora consideradas um caso único em Portugal", ideia também defendida no livro "Vila Chã e as suas Origens".

sábado, 31 de julho de 2010

Um acto de Heroísmo

Os homens do mar são conhecidos ao longo da História pelos seus actos de coragem e bravura e os nossos homens não fogem à regra.
Quando, em Maio de 1941, um avião inglês cai na praia de Guilhade, Manuel da Silva Oliveira, Manuel Carneiro, Cândido Augusto, Emílio Alves Neto, Carlos Ribeiro dos Santos e José Maria Silva, lançaram-se ao mar para resgatar os militares ingleses. Este avião teria 6 ou sete tripulantes, sendo que quatro foram salvos.
(Para saber mais ler o livro "Vila Chã e as suas Origens").
Que tipo de avião era este?
"O Avro Lancaster foi o melhor e o mais famoso bombardeiro quadrimotor britânico da II Guerra Mundial. Nasceu em 1941 como espólio do fracassado bombardeiro bimotor Avro Manchester.
Seu baptismo de fogo ocorreu em 2 de Março de 1942 e, até ao fim da guerra, cobriu-se de glórias. Os 7.366 exemplares produzidos realizaram 156.000 missões, lançando 608.612 toneladas de bombas (entre as quais algumas "Grand Slam" de 10.000 kg). Entre as suas muitas acções de repercussão, estão o ataque à represa de Moehne e Eder, em 17 de Maio de 1943, e o afundamento do Tirpitz, em 12 de Novembro de 1944.
Em 1945, mais de 1.000 Lancaster ainda se encontravam em serviço ativo na RAF, em 56 esquadrões."
Extraído de:




O filme está em inglês (sem tradução)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Parque escolar de Vila Chã


Faltam aqui as fotos da escola da praia que, no momento não temos.

Para ver mais fotos sobre Vila Chã, clique aqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Redes de pesca


"Redes de pesca são aparelhos para pescar flexíveis,[1] construídos principalmente com panos de rede, geralmente de fibras relativamente delgadas e com malhas de tamanho menor que a menor dimensão dos peixes ou mariscos que se pretendem capturar com elas.
Existem três tipos básicos de redes de pesca:
As redes de arrasto;
As redes de emalhar;
As redes de cerco."

Leia mais aqui

Côvos

"Iscar os Côvos em Vila Chã"


"Em Portugal existe uma pesca tradicional para cefalópodes (principalmente polvo) com alcatruzes (que são recipientes de barro, normalmente presos em número variável a linhas suspensas na água) ou "covos" que são gaiolas fabricadas de arame ou fibras vegetais. Os "covos" são bastante utilizados na costa norte portuguesa (Matosinhos, Labruge, Vila Chã, Mindelo, Vila do Conde e outras). Estas artes de pesca, como se designam os instrumentos utilizados directamente na captura de peixe e outros animais aquáticos, pertencem ao grupo das chamadas artes passivas, uma vez que é o próprio animal que as procura, normalmente como refúgio, ficando nelas aprisionado."



Leia mais aqui

Os nossos homens e a pesca do bacalhau


Navio Bacalhoeiro S. Gabriel





Fotos enviadas por email por Maria Gonçalves

Apanha do Sargaço


"(...) algas marinhas, as quais se desprendem sempre que o mar está revolto ou em período de marés vivas, predominantemente nos equinócios. (...) Contudo, a "mareada" é mais abundante após um período de maresia, porque o mar arroja à costa as algas que se desprenderam. É, assim, mais fácil ao sargaceiro a sua recolha e o seu transporte para o local onde fica a secar durante dois a três dias. Mas a apanha do sargaço é, habitualmente, faina difícil e perigosa, dado que é necessário enfrentar as ondas do mar, por vezes muito encapeladas. Por isso cabe aos homens aquela tarefa, e às mulheres o transporte para as "camas" de secagem.
Depois de seco o sargaço é "empadelado", isto é, enrolado e posto em pequenos montes - "padelos" - e transportado, então, para as cabanas, onde fica empilhado, formando "serras", até sua utilização nas culturas agrícolas.
Dado o reconhecido valor como fertilizante natural, e a convicção cada vez maior dos perigos para a saúde pública inerentes ao uso excessivo de adubos químicos, a procura do sargaço tem aumentado consideravelmente nos últimos tempos."

Para ler mais, clique aqui.
Em Vila Chã, contudo, a situação era um pouco diferente desta que o texto supracitado refere. Segundo o autor do livro: "Vila Chã e suas origens" este trabalho "árduo e penoso" era feito pelas nossas corajosas mulheres, os homens só interferiam quando era preciso "arrancar o sargaço fora do alcance das mulheres" (p.67) utilizando então os seus barcos.

Anos de pesquisa de um filho da terra agora em livro

As nossas felicitações ao Comemdador António de Azevedo Dias.


terça-feira, 27 de julho de 2010

Vila Chã citado na "Rotas & Destinos" (Junho 2007)

"Isto é Vila Chã, que mania vocês têm de chegar aqui e perguntar se estão em Mindelo. Eles só têm uma praia, nós temos quatro. Têm é mais turismo, mas nós temos tradição. Vila Chã é Vila Chã”. As palavras, firmes, saíram-lhe da alma a uma velocidade alucinante, quase não nos deixando tempo para nos defendermos do erro que havíamos cometido. Mas não as julguem como antipatia. São apenas inofensivos suspiros de raiva de um pescador a defender a suas águas. Ao lado, encostados a um dos muitos pequenos barcos que descansam à beira-mar, a mulher e o filho cosem as redes às quais se agarrará o sustento. Ainda no mesmo fôlego apresentou um pedido de desculpas, penitenciando-se pela veemência da argumentação: “Agora têm que beber um copo connosco”. Foi pouco mais do que isto a nossa passagem por Vila Chã, uma freguesia situada no concelho de Vila do Conde, a menos de duas dezenas de quilómetros do Porto. "



Texto de: João Ferreira Oliveira

Mulheres de Vila Chã (2)


"No contexto de Vila Chã, no concelho de Vila do Conde, as mulheres identificam-se pelo seu trabalho produtivo e habilidade na gestão dos recursos familiares. Mesmo as mães solteiras eram avaliadas sobretudo pelas suas capacidades no trabalho - carácter laborioso e frugalidade - e menos em termos da sua sexualidade ou do seu estado civil. Numa sociedade que foi mudando, as mulheres das casas marítimas continuam a trabalhar na pesca, mas não vão já ao mar: «ajudam os maridos» na praia. As mulheres marítimas são menos autónomas agora e as suas filhas são mão-de-obra desqualificada e mal paga, sem poder de decisão sobre o seu tempo ou as suas condições de trabalho e sem a autonomia das mulheres das gerações anteriores. Existe em Vila Chã um novo entendimento do significado e do processo de representação do masculino e do feminino, quer como processos de construção de ideias relativamente aos papéis a desempenhar por cada sexo, quer na manipulação desses ideais."

Extraído de:

Mulheres de Vila Chã (1)


"Na comunidade de Vila Chã (Vila do Conde) até meados do séc. XX as mulheres organizavam-se como armadoras e eram elas próprias a companha3,pescando o pilado (pequeno caranguejo) e a sardinha, andando ao mar tal como os homens, sem serem viúvas4. Era uma comunidade de fortes tradições da apanha do pilado e do sargaço (algasdo mar), com redes e a bordo de embarcações depequena dimensão, conhecidos como miranços5.
Aponta-se como razão para a substituição dos papéis masculinos por mulheres, a forte emigração para o Brasil que despovoou de homens aptos a comunidade local e a procura de fertilizantes marinhos por parte de lavradores abastados e que pagavam em dinheiro vivo 6, oriundos de terras do interior do país. Depressa as mulheres substituíram os homens ausentes garantindo o sustento da família, exercendo a pesca de manhã cedo e continuando no resto do dia como lavradeiras, amanhando a terra para as hortaliças (couves, nabos,cebola e alho) e as batatas."


Continue a ler aqui

Significados:
3.- Companha: tripulação de embarcação com função de pescadores. Neste caso cada companha tinha entre 3 a 6 mulheres, as embarcações
eram pequenas, à vela e a remo e funcionavam como uma unidade empresarial familiar.
4.- Caso único em Portugal.
5.- Miranço: pequena embarcação tradicional, de roda de proa e popa, cadaste e casco liso, hoje extinta.
6.- Dinheiro vivo: pagavam em moedas e não em género (com ovos, leite, azeite, sistema de trocas).
In:
"MULHERES DO MAR PORTUGUÊS"
de
IVONE BAPTISTA MAGALHÃES
JOÃO PAULO BAPTISTA1